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Terça-feira, 13 de agosto.

Primeira Leitura: PT evita ataques que possam inviabilizar apoios.

Manso, pero...

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter, no início do horário eleitoral gratuito, a mesma postura conciliadora que vem adotando na campanha até aqui. Nada de ataques a adversários, apenas um Lula afirmativo e propositivo.

O PT quer evitar que ataques agora possam inviabilizar apoios no segundo turno — onde, acreditam os petistas, Lula já tem lugar garantido.

...não muito

Primeira Leitura apurou que o comando petista ainda não dá como certa a passagem de Ciro Gomes (PPS) para a disputa final. Tudo dependerá da performance de José Serra (PSDB) na propaganda de TV.

Se, no entanto, Ciro continuar em curva ascendente a ponto de ameaçar Lula, a postura pode mudar e uma aliança tácita com os tucanos pode acontecer ainda nesta fase — contra Ciro.

Recado dado

O dólar fechou em alta de 4,47% segunda-feira, a R$ 3,115, num ambiente de poucos negócios. A explicação mais imediata para tamanha deterioração do cenário, poucos dias depois do pacote de ajuda de US$ 30 bilhões do FMI, é a queda-de-braços entre o Banco Central e investidores sobre a forma de intervenção no mercado.

O país tem, teoricamente, muitos bilhões para intervir (US$ 6 bilhões do socorro do FMI para este governo e US$ 10 bilhões das reservas).

Recado anotado

Tanto existiu essa pressão que o presidente do BC, Armínio Fraga, informou que pode voltar a oferecer a ração diária de dólares, suspensa na quinta, quando o acordo com o FMI foi anunciado.

2002, quase terminado

Mas existem razões mais complexas para a turbulência. Para o mercado, o cenário eleitoral do segundo turno está praticamente definido, com Lula e Ciro Gomes na disputa.

Os nomes não agradam ao setor financeiro, que gostaria mais da opção tucana. Os que apostavam numa reação de Serra, porém, estão desistindo. Assim, do ponto de vista político, 2002 está quase terminado.

2003 e crise

Problema: Lula e Ciro não teriam estratégia definida para enfrentar uma crise financeira em 2003. E aqui entra outro cenário que também já está dado: crise haverá, pois a economia brasileira tem problemas estruturais e uma recessão mundial é hoje um risco que está nos cálculos dos investidores.

Desmentidos necessários

Serra desmentiu segunda-feira, de novo, que vá renunciar. E o diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, negou, em teleconferência com analistas de Wall Street, que o Brasil venha a adotar medidas heterodoxas como o controle de capitais. Goldfajn também afastou o risco de calote da dívida.

A necessidade das duas declarações mostra a quantas anda a confiança na candidatura governista e na saúde financeira do país.

Agora?

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que a solução dos problemas domésticos passa, entre outras coisas, pelo crescimento econômico baseado no aumento da produtividade e melhoria das condições de vida da população.

Assim falou...Luiz Inácio Lula da Silva

“O PT virou adulto, virou grande, hoje governa 50 milhões de pessoas. Não é só estilingue, também virou vidraça.”

Do candidato do PT à presidência da República, numa alusão à nova condição do partido, de ser establishment.

Ironias da história

Num eventual segundo turno entre Lula e Ciro, muito investidor vai se declarar PT desde criancinha. Desde já, esse movimento é sentido, quando operadores do mercado financeiro afirmam que uma vitória de Lula já está incorporada ao preço [do dólar], mas a de Ciro ainda não — “e será mais cara”.

Explica-se: desta vez, o petista tomou cuidados para não ser acusado de provocar turbulências no mercado. Assim, há meses vem assumindo compromissos em relação ao cumprimento de contratos e pagamento de dívidas, ao respeito às instituições, à estabilidade da moeda, etc.

Por essa razão, já tem a promessa de voto de um eleitor ilustre, o presidente Fernando Henrique Cardoso, se Serra não conseguir chegar lá. Já Ciro, alçado ao topo das pesquisas eleitorais em curto espaço de tempo, não precisou assumir compromisso nenhum. E, a se levar em conta seu discurso de forte conteúdo oposicionista, nem vai...

Revista Consultor Jurídico, 13 de agosto de 2002, 8h59

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