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Mundo globalizado

Ministro diz que países emergentes pagam a conta da globalização

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Francisco Fausto, afirmou que a globalização está afetando de maneira contundente a economia dos países emergentes, entre eles o Brasil. “Antes, o que havia era a fera domada do imperialismo econômico; agora a máscara caiu, e muitos países que não se cuidaram estão sofrendo as conseqüências”, disse.

A declaração foi feita durante entrevista sobre o contingenciamento na execução orçamentária da União e nos pedidos de suplementação de verbas para o Judiciário. “A situação geral é muito difícil, mas temos de ser otimistas quanto a essa questão específica. A situação do País não se mede por suplementações orçamentárias, mas em cifras de bilhões, como as que estão em jogo nas tentativas de contenção do dólar”, disse.

No Brasil, os efeitos danosos do processo de globalização são visíveis, segundo o ministro, na péssima distribuição de renda. “Voltei recentemente de alguns dias no Nordeste e vi de perto como anda a situação da população”, observou. “O número de pessoas que pede alguma forma de ajuda, de emprego, é enorme. E não podemos fazer nada”, acrescentou, lembrando que existem hoje no País 60 milhões de pessoas que sobrevivem com uma renda diária inferior a R$ 0,90.

“A pregação desenvolvimentista de que era preciso esperar o bolo crescer para depois dividi-lo mostrou-se uma fantasia. O bolo solou, e o pedaço mais substancial dele foi parar nos paraísos fiscais”, afirmou o ministro Fausto.

Sobre as declarações do Secretário do Tesouro Americano, Paul O’Neill, que no domingo disse que o Brasil precisa assegurar que a ajuda financeira dos organismos internacionais seja bem aproveitada, e não apenas saiam do País direto para uma conta na Suíça, o ministro Fausto considerou-a deselegante. “Essa evasão é fato, mas quem desvia os recursos não é o Governo, e sim esses repentinos milionários que vêm surgindo no Brasil. Se trouxessem esses investimentos para cá, a situação poderia ser diferente”, concluiu.

Revista Consultor Jurídico, 2 de agosto de 2002, 11h21

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