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4/4/2002

Primeira Leitura: tititi sobre suposta crise tucana não se sustenta

Muito barulho por nada

Apesar do tititi na mídia sobre uma suposta crise na candidatura do PSDB ao Planalto depois do recuo de Jarbas Vasconcelos (PMDB) - que desistiu de ser o vice de José Serra -, o percalço não altera a estratégia das cúpulas partidárias.

A versão de que o PMDB desembarcaria da aliança com os tucanos não se sustenta: se aderiu quando Serra estava com 14 pontos nas pesquisas, a legenda sairia agora que ele está crescendo e já chegou a 19 pontos?

Política real

Claro, Jarbas era o vice ideal: além de ser do Nordeste, é bom de voto e não tem denúncias de corrupção nas costas. Na falta do ideal, porém, PSDB e PMDB vão atrás do candidato "real". É assim mesmo que funciona.

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A reunião de quarta-feira (3/4), em que tucanos e peemedebistas reafirmaram a decisão de unir as legendas em torno da candidatura de Serra, teve um caráter profilático, para tranqüilizar o ambiente em busca de um nome alternativo para compor a chapa presidencial.

Alguém que mantenha a unidade mínima do comando do PMDB e não ressuscite nem a idéia de candidatura própria nem da "chapa camarão" - segundo a qual o partido não teria candidato ao Planalto e faria, nos Estados, as alianças que quisesse.

Por enquanto

Pelo menos por uns 60 dias, toda essa questão é irrelevante para o crescimento da candidatura de José Serra. Seu avanço nas pesquisas de intenção de voto tem acontecido em decorrência do apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Então ta

O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, disse em reunião do partido que não vai apoiar Serra nem se ele for para o segundo turno. "Serra não tem viabilidade eleitoral", afirmou. Ah, sim: o cenário mais provável, hoje, é um segundo turno com Serra e Lula...

Nau à deriva

O PFL ainda não se deu conta do estrago que está fazendo contra si mesmo. Tradicional âncora de estabilidade para as elites, cometeu o erro trágico de fazer política com o fígado. Ao criar chicanas para impedir a votação da CPMF, joga fora um patrimônio construído ao longo de décadas, desde quando atendia pelo nome de UDN.

Assim falou... o Vaticano

"(O papa) rejeita a situação injusta e humilhante em que os palestinos são obrigados a viver assim como a represália e os ataques vingativos que apenas alimentam o sentimento de frustração e o ódio".

Do comunicado da Santa Sé, que faz críticas a Israel e condena o terrorismo - em uma referência à onda de atentados suicidas no Oriente Médio.

Tudo é história

A escalada da violência no mundo palestino só encontra correspondente na reação da população da Argélia ao colonizador francês. A guerra argelina de libertação opôs dois dos maiores intelectuais do século 20: o francês Jean-Paul Sartre e o franco-argelino Albert Camus.

O entusiasmo que Sartre demonstrava pelos "libertadores" argelinos irritava Camus. A história, de algum modo, viria a dar razão ao segundo. Convenha-se que, deixada à própria sorte, a Argélia está longe de ser um exemplo de civilização e de convivência democrática. A questão é saber se vivia muito melhor quando os franceses lá estavam.

A resposta, parece, é "não". E, ainda que vivesse, não se pode impedir um povo de viver seus próprios anseios porque isso há de ser ruim para ele. Assim, se a Autoridade Palestina é ou não um exemplo de civilidade política, é algo que deve ser resolvido pelos palestinos. Se Camus tinha a razão, digamos, moral para desconfiar dos libertadores argelinos, Sartre tinha a razão prática ao apoiar o movimento de independência.

Revista Consultor Jurídico, 4 de abril de 2002, 9h33

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