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Conclusão

Conclusão: 'Brasil deve exportar pratos prontos para o consumo'.

A economia brasileira está atrelada à economia mundial globalizada, com um déficit comercial de US$ 2 bilhões. Paga US$ 14 bilhões de juros e remete US$ 6 bilhões de lucros. O déficit é portanto de US$ 22 bilhões, que para sua cobertura depende da captação de recursos externos. (O Estado de S.Paulo, 24 de julho de 2001). Por isso, FHC anuncia a política de "exportar ou morrer".

Mas esbarrando no sistema de proteção dos países ricos contra a importação dos produtos dos países pobres, ditos emergentes e enfrentando ainda a dificuldade de que nossos produtos de exportação na área agrícola são similares aos produzidos nos Estados Unidos e que contam com a proteção dos subsídios, que não serão eliminados, sem que se consiga que os outros grandes países também façam o mesmo.

Por isso, o professor da USP, Marcos Sawaya Jank, especialista em comércio internacional, sugere que o país se dedique a descobrir nichos de mercado, onde a concorrência ainda é pequena, como a que o México está se dedicando ao ter sucesso na exportação de frutas e legumes. Poderia, nosso País, por exemplo, apostar em produtos como frutas e pratos prontos para consumo, massas e biscoitos, produtos de confeitaria, frutas e legumes, e laticínios.

O Brasil tem também que se preocupar com o fortalecimento do Mercosul, mas tomando cuidado com o chamado acordo "quatro mais um" - do Mercosul com os EUA eis que os outros parceiros do Mercosul estão com sua economia complicada e poderiam se aliar aos Estados contra os interesses do Brasil.

A solução imediata é buscar já outros parceiros comerciais como a Índia, China e Rússia, onde nossos produtos poderão ser bem aceitos, que poderá vir a ser inclusive uma alternativa no caso de fracassarem as negociações para a rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Leia o texto publicado no jornal O Estado do Paraná.

Especialista sugere mercados alternativos ao Brasil

O professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Sawaya Jank, acredita que a aproximação com outros mercados como a Índia, China e Rússia seria uma ótima alternativa para o Brasil no caso de fracassarem as negociações para a rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Jank foi convidado pelo Ministério das Relações Exteriores para avaliar quais as chances de negociação que o País poderá ter com os Estados Unidos, na Área de Livre Comércio das Américas (Alaca) e na próxima rodada da OMC, prevista para novembro no Catar (Golfo Pérsico).

"Se a rodada da OMC não sair dentro de dois anos haverá uma explosão de acordos bilaterais e nesse cenário, o Brasil, por ser um país de economia grande, não terá acesso preferencial garantido para seus produtos", adverte Jank, que está se dedicando há mais de um ano a esse estudo. "A União Européia já não dá, hoje, esse tipo de acesso ao Brasil", observou o professor, que se encontrou com o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes.

Embora já tenha concluído o estudo encomendado pelo Itamaraty, Marcos Jank não quis divulgar as alternativas encontradas para negociar tanto na Alca como na OMC. Ele adianta que o Brasil já está atrasado na estratégia de entabular negociações com países populosos como a Índia, Rússia e China. Segundo o professor, o governo brasileiro deveria buscar a realização de acordos comerciais com outros países que não os Estados Unidos e a Europa para aumentar seu comércio externo.

"O Brasil deve buscar todas as negociações possíveis, sejam elas multilaterais, regionais ou bilaterais para reduzir as barreiras que limitam as suas exportações", afirmou após audiência com o ministro da Agricultura. Para Jank, "o Brasil, até agora, não deu atenção à China". Segundo ele, seria mais fácil abrir espaço para os produtos brasileiros nesses países do que nos Estados Unidos, aonde os principais produtos de exportação são similares aos nossos na área agrícola.

O professor lembra que o setor privado brasileiro - que ainda não está engajado o suficiente no esforço exportador - poderia apostar em produtos como frutas e pratos prontos para consumo. Aponta ainda nichos de mercado nos Estados Unidos que poderiam ser aproveitados: massas e biscoitos, produtos de confeitaria, frutas e legumes, e laticínios.

Esses setores vem registrando um crescimento superior a 6% ao ano e vem tendo a sua demanda atendida basicamente pelo Canadá, México e países europeus. Como exemplo, disse que as vendas de frutas e legumes feitas pelo México aos Estados Unidos são de cerca de US$ 2 bilhões anuais. "É claro que o México faz parte do Nafta, o que pode facilitar as coisas. Mas os mexicanos apostaram em uma estratégia de inserção internacional, o que o Brasil ainda não fez", observou.

Jank adiantou que a questão dos subsídios é muito difícil. "Os EUA não vão ceder. Só eliminarão os subsídios se os outros grandes países também fizerem o mesmo", salienta. Nesse sentido, lembra que a realização de acordos comerciais regionais feitos pelo Brasil, no âmbito do Mercosul, poderiam ajudar. "Poderia se negociar interesses na Alca e condicionar a sua implementação a aprovação do fim dos subsídios na OMC", observa.

Ele defendeu ainda o fortalecimento do Mercosul, mas alertou para que o governo brasileiro tenha cuidado com o chamado acordo "quatro mais um" - do Mercosul com os EUA. "Os outros parceiros do Mercosul estão com sua economia complicada e poderiam se aliar aos Estados contra os interesses do Brasil", alertou. (12/9)

O autor é advogado trabalhista em Curitiba e em Paranaguá, Diretor de Assuntos Legislativos da Abrat (Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas), integrante do corpo técnico do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) e da comissão de imprensa da AAT-PR (Associação dos Advogados Trabalhistas do PR)

Revista Consultor Jurídico, 12 de setembro de 2001, 18h28

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