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Risco global

Aeroportos brasileiros são vulneráveis a atentados

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O terrível atentado terrorista que os americanos sofreram nesta terça-feira (11/9), em Nova York, onde se estima a morte de mais de dez mil pessoas, trouxe uma preocupação mundial com a segurança dos aeroportos.

No Brasil o governo anunciou que a segurança havia sido reforçada em todos os aeroportos da nação, colocando a Polícia Federal em alerta máximo.

Se a vida de alguém depender disso, que se aguarde tragédias por aqui também.

O discurso populista do governo passa longe da realidade. Os governos de outros países podem até não saber. Mas as autoridades brasileiras sabem muito bem que a fiscalização nos aeroportos brasileiros foi terceirizada pela Direção-Geral do Departamento de Polícia Federal.

O cidadão que embarca nos aeroportos brasileiros pode não saber. Mas o governo sabe que aquelas figuras de terno e gravata que revistam as bagagens e conferem as máquinas de raios-x não são Agentes da Polícia Federal e sim funcionários de empresas particulares de segurança, sem qualquer treinamento para aquele serviço.

Nunca viram explosivos na vida, não conhecem os estratagemas do tráfico de drogas nem entendem de armas. São recrutados por classificados de jornal e recebem um salário irrisório perto do que cobram por eles as empresas de segurança.

Em todos os aeroportos do país, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro esses funcionários usurpam criminosamente a função dos policiais federais treinados e qualificados para essa função, com a conivência e com o patrocínio da Direção Geral da própria Polícia Federal.

Quando pessoas que embarcam nos aeroportos brasileiros virarem mísseis dentro de aviões que podem ser atirados por terroristas em qualquer parte do mundo, as autoridades brasileiras irão dizer que nada sabiam, Fernando Henrique vai dizer, como sempre, que não sabia.

Quando algum ato terrorista acontecer em aviões saídos de aeroportos brasileiros os Agentes da Polícia Federal não poderão ser responsabilizados, uma vez que são proibidos de executar a missão que a Constituição lhes incumbe. Fica registrado que a culpa será da Direção Geral do Departamento de Polícia Federal, INFRAERO, Ministério da Justiça e do próprio Governo Federal.

A Federação Nacional dos Policiais Federais-FENAPEF ingressou com ação na Procuradoria-Geral da República para corrigir essa aberração e tem dois anos que espera resultados.

Francisco Carlos Garisto é ex-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais

Revista Consultor Jurídico, 12 de setembro de 2001, 19h52

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