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Empresa no brejo

Fazendas Reunidas Boi Gordo pedem concordata em MT

A Fazendas Reunidas Boi Gordo, um dos maiores grupos pecuaristas do país, localizado em Mato Grosso, entrou na terça-feira (16/10) com pedido de concordata preventiva na Justiça de Comodoro (677 quilômetros a oeste de Cuiabá). Calcula-se que a dívida da empresa com seus 24 mil parceiros seja de mais de R$ 1 bilhão.

O grupo passa por desequilíbrios financeiros decorrentes do desempenho aquém no esperado no lançamento recente de ações. O presidente do grupo, Paulo Roberto Andrade, distribuiu comunicado sobre o assunto (leia abaixo).

O pedido de concordata preventiva foi encaminhado ao juiz Edson da Costa Leite com a intenção de evitar a falência definitiva da empresa. Para isso, o grupo terá um prazo de dois anos para saldar seus débitos. O Ministério Público também vai apurar se houve crime contra a economia popular.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vinha alertando o mercado das irregularidades da empresa na emissão de títulos lastreados em boi gordo, denominados Contratos de Investimento Coletivo (CICs). No fim de maio, a Boi Gordo pediu à CVM o registro de companhia aberta. Em junho último, a empresa havia anunciado que iria lançar ações no mercado e que pretendia arrecadar R$ 300 milhões com a operação. A Boi Gordo estudava abrir o capital e iria negociar as ações na Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma), no chamado "mercado de balcão".

Segundo a assessoria de comunicação da Boi Gordo em São Paulo, os valores que constam do pedido de concordata registram um passivo de R$ 550 milhões em títulos a serem resgatados no mercado. Segundo a assessoria, 1,2 mil contratos, somando cerca de R$ 20 milhões, estão em atraso.

Leia o Comunicado feito pela empresa

"Fiéis ao alto padrão de relacionamento com nossos parceiros e dispostos a corresponder à confiança em nós depositada, cumprimos o dever de comunicar uma decisão dura, difícil, mas que expressa tão-somente as dificuldades momentâneas que enfrentamos.

As Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A, que há 14 anos presta serviços de reconhecida qualidade, proporciona bons negócios a seus parceiros e que renova seu compromisso de trabalhar para a evolução da pecuária, requereu a 15 de outubro de 2001 pedido de concordata preventiva na Justiça do Estado de Mato Grosso, protocolado no MM. Juízo da Vara da Comarca de Comodoro, município sede da principal central de produção da empresa. O MM. Juízo determinou o processamento do pedido.

Queremos deixar claro, desde já, que todos, rigorosamente todos os nossos compromissos serão honrados, como foram até aqui, no prazo máximo do período previsto pelo instrumento legal a que ora recorremos. Através da concordata preventiva, estamos certos de que será possível solucionar os problemas causados por infeliz combinação de acontecimentos, do conhecimento de praticamente todos os nossos parceiros, dos quais destacamos:

1- O longo período, de aproximadamente 5 meses, que a Comissão de Valores Mobiliários julgou necessário para avaliar nosso último pedido de reserva de subscrição. Ao longo desses meses a empresa viu-se obrigada a honrar seus compromissos sem, no entanto, contar com as receitas previstas, causando desequilíbrio financeiro que, ressaltamos, é momentâneo.

2- A mudança abrupta na conjuntura internacional, marcadamente após os trágicos acontecimentos de 11 de setembro nos Estados Unidos, que atingiram sobretudo as Bolsas de Valores. Lamentavelmente, os atentados terroristas coincidiram com o período de lançamento de nossas ações, o que também contribuiu para a frustração de nossas expectativas.

Ao tomarmos essa decisão, repetimos, dura, difícil, estamos garantindo, junto à Justiça, os direitos de nossos parceiros. Certos de que as dificuldades em breve serão superadas, reafirmamos nossa confiança no Brasil e em nosso futuro.

Informamos ainda que todos os parceiros receberão, dentro de no máximo 45 dias, correspondências com informações a respeito da habilitação dos créditos. Aqueles que não forem por nós contatados no prazo estipulado, por qualquer motivo, deverão nos procurar através do telefone abaixo discriminado para agendar entrevista."

São Paulo, 16 de outubro de 2001

Paulo Roberto Andrade

Diretor de Relações de Investidores

Ligue para o 0800 125966

Revista Consultor Jurídico, 17 de outubro de 2001, 20h48

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