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EUA bombardeia

Ataques contra Afeganistão são mais violentos no segundo dia

Os ataques dos Estados Unidos feitos contra o Afeganistão, nesta segunda-feira (8/10), foram considerados mais violentos do que os do primeiro dia. De acordo com informações do serviço de segurança americano, quatro bombardeios destruíram dois aeroportos e duas áreas, nas montanhas onde estavam localizadas as antenas da principal estação de TV afegã.

A cidade de Cabul, capital do Afeganistão, está sem energia. Os ataques não têm data para terminar conforme anunciou o governo americano.

Nesta segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão apoiando os Estados Unidos.

Leia a íntegra do pronunciamento

"Meus amigos: Como seu presidente, cabe a mim, neste momento da história, conduzir o Brasil em um cenário mundial de incertezas. Ao iniciar, ontem, ações militares, os Estados Unidos estão respondendo, com amplo apoio internacional, a uma situação de conflito sem precedentes. Não se trata, como no passado, da luta de uma nação contra outra. Mas da luta de um país atingido, violenta e covardemente, por grupos terroristas, num ataque brutal que chocou o mundo, sacrificando mais de 7 mil seres humanos.

Cabe ao Brasil, nesta hora em que os ânimos e as paixões se exaltam, ter uma palavra firme de apoio e de racionalidade. O Brasil tem um lado claro. O lado contra o terror, a violência e a insensatez.

Tenho tomado medidas para que, em nosso território, o terrorismo não encontre guarida para agir ou se esconder. Determinei rigor na segurança de nossos portos e aeroportos. Reforço da vigilância do espaço aéreo. Controle e fiscalização severos nas áreas de fronteira. Intensificação do combate à lavagem de dinheiro, ao contrabando de armas e ao narcotráfico.

Devemos ter consciência de que cooperar com a nação nessas circunstâncias difíceis é tarefa de cada brasileiro. Conclamo as forças políticas a dar ao País o apoio necessário para enfrentarmos, juntos, as dificuldades que teremos pela frente. Quem já viveu uma guerra, mesmo longe dela, sabe que sua sombra se estende por todo o planeta.

O Brasil e seus representantes no exterior devem estar preparados para atender os brasileiros, defendê-los e dar assistência a eles e suas famílias em qualquer parte do mundo. Este momento chama cada um de nós à grandeza. Tempo de conflito lá fora deve ser tempo de união aqui dentro. Estarei atento às conseqüências econômicas da crise. E não permitirei que o Brasil perca sua tranqüilidade e seu rumo.

Desde que assumi a Presidência, tivemos que enfrentar muitas crises vindas de fora, e mesmo aqui dentro - como a energia, que entrou em crise - mas nem por isso perdemos a confiança em nós mesmos. Ao contrário, o País continuou avançando. Tem dado provas de maturidade e inteligência. Vem promovendo reformas necessárias ao seu crescimento sustentado e, o que é muito importante, estabeleceu os primeiros programas que, pouco a pouco, vão construindo uma verdadeira rede de proteção social.

Eu sempre confiei no povo.

Não tenho dúvida de que, com a mesma atitude de patriotismo e de cidadania que está iluminando o Brasil durante o racionamento de energia, todos os brasileiros saberão responder às incertezas da hora presente. Quero deixar claro que se, por um lado, o Brasil se coloca firmemente contra o terrorismo, o Brasil estará também firmemente ao lado da razão.

Queremos a punição dos responsáveis por um crime que matou, além de milhares de norte-americanos inocentes, gente inocente do mundo inteiro. E, infelizmente, também, brasileiros. É com emoção, e pensando em suas famílias, que pronuncio os nomes desses brasileiros: Alex Alves da Silva; Anne Marie Sallerin Ferreira; Ivan Fairbanks Barbosa; Sandra Fajardo Smiths; Nilton Albuquerque. E, ainda, existem muitos outros brasileiros desaparecidos.

Não precisamos aguardar o balanço final desta tragédia para tomarmos consciência de que algo de novo precisa ser feito para que a ameaça do terror seja afastada da face da Terra. O Brasil continuará a fazer ouvir sua voz.

Nosso País, onde vivem pacificamente árabes, judeus e seus descendentes, tantas raças e religiões diferentes - católicos, protestantes, muçulmanos - não deixará de cobrar uma solução racional para o conflito entre israelenses e palestinos, que há tanto tempo fugiu da racionalidade.

Brasileiros, Não é este momento para ilusões. Não podemos pensar que estamos longe do palco de um conflito, porque esse conflito não terá um palco definido. Sem pânico, sem medo, com firmeza, união e prudência, chamo cada brasileiro à sua responsabilidade. E que o Brasil seja nesses tempos de intolerância um refúgio da razão, um exemplo de união e um fórum constante da paz."

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2001, 16h08

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