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Gravidez de Glória Trevi

PF critica precipitação em investigação de gravidez de Glória Trevi

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O caso da gravidez da cantora Glória Trevi está longe de acabar e a cada dia que passa a coisa fica mais nebulosa. Por que um acontecimento como esse ganhou proporções dessa natureza? Na nossa opinião, por culpa do açodamento em servir o chefe por parte do Diretor Geral - Agílio Monteiro Filho.

O ex-ministro da Justiça, José Gregori, já estava arrumando as malas para zarpar a caminho de Portugal e determinou a Agílio que terminasse logo a investigação da gravidez, pois não queria passar esse abacaxi para o ministro Aloysio Nunes Ferreira, que já estava indicado por FHC para assumir em seu lugar.

Se o diretor geral da PF tivesse a postura de um verdadeiro e independente diretor da mais conceituada polícia do país, teria respondido ao ministro que uma boa e isenta investigação não coaduna com a pressa, não tendo hora e minuto para acabar. Mas não. Desde que assumiu o atual diretor só sabe balançar a cabeça na vertical, principalmente para as autoridades maiores do governo, e aí deu no que deu. Agílio quis fazer jus ao seu nome que quer dizer: o rápido, aquele que tem agilidade.

No afã de servir o querido chefe, com quem talvez vá para Portugal, Agílio avocou para a direção geral a sindicância que nem havia sido iniciada ainda, julgou o trabalho de uma investigação que não havia sido iniciada.

Queria mostrar serviço, ser ágil, mas a pressa no serviço policial ativo é pecado mortal e talvez Agílio não saiba disso, já que desde agente de polícia federal nunca foi muito afeito aos trabalhos externos de investigação.

Nomeou no lugar do anterior, um delegado da corregedoria central, e esse, também, ao invés de dizer que precisava de tempo para um resultado satisfatório, fez para Agílio o que este fez para o ministro Gregori, um mimo de "competência expressa". Com essa atitude, em menos de sete dias anunciou o grande culpado pelo estupro praticado com a sexy cantora mexicana: UMA CANETA BIC E UM POTE DE LEITE.

De posse da grande descoberta, efetuada antes mesmo de ouvir as colegas de cela, os policiais e outros presos, os dois, Agílio e Assis correm para comunicar a Gregori a sherloquiana descoberta.Vejam como foi:

AGÍLIO - Chefe! Chefe! Descobrimos quem estuprou a cantora mexicana.

GREGORI - Puxa, Agílio que ótimo! Você e o delegado Assis são demais, que rapidez, vocês parecem o The Flash, já posso ir para Lisboa sossegado. Quem foi o malvado que fez isso com a bela cantora?

AGÍLIO - Foi uma caneta Bic em parceria com um pote de leite Ninho, ainda não conseguimos prender eles, mas isso é uma questão de minutos, meu estimado e querido chefe. Agora vossa excelência já pode viajar bem tranqüilo para as terras de Cabral. O caso está oficialmente encerrado.

Com a grande novidade nas mãos, lá foi correndo o Ministro da Justiça explicar para a imprensa a "grande descoberta" da dupla Sucker e Foker. Os jornalistas se amontoaram e disputando um cantinho da boca do ministro colocaram os microfones para gravar a notícia mais esperada da semana, e após ouvirem o resultado das "rigorosas" investigações, só poderia dar no que deu. A Caneta Bic e seu cúmplice o famoso pote de leite viraram capa de revistas e de todos os jornais do Brasil, do México e de centenas de países.

As vendas de canetas Bic aumentaram em 90% e a companhia que detém o direito da marca já patenteou o novo método de inseminação artificial federal.

Na verdade a culpada não é a caneta Bic, mas sim a pressa, esta a grande culpada da atual situação vexatória por que passa toda a instituição policial federal, pressa essa praticada pelo Diretor Geral do órgão e seu Watson, pressa essa que está desmoralizando o recém empossado ministro Aloysio Nunes Ferreira que não tinha nada com isso e agora vai ter que se explicar na CPI da Caneta Bic, já proposta na Câmara dos Deputados pela Comissão de Direitos Humanos.

Agílio, no afã de agradar o chefe e o governo para se perpetuar no cargo de diretor da PF, já que não sabia se iria ficar ou não, tanto que se aposentou em um dia e se arrependeu no outro, fez o que fez e agora, não adianta chorar, está feito.

Seu precipitado e bajulador ato, trouxe um descrédito para a Polícia Federal Brasileira que não se via há anos, e agora centenas de policiais federais de Brasília se preparam para fazer exames de DNA para se livrarem de uma acusação que nem sequer havia sido apurada ainda.

Todos os jornais televisivos dedicaram vários preciosos minutos nos horários nobres para divulgar o imbróglio que se transformou uma apuração que deveria ser séria e confiável por parte de todos os brasileiros, uma vez que a Polícia Federal já apurou coisas piores do que essa e se saiu de maneira ímpar e exemplar.

O ato apressado do diretor geral Agílio Monteiro Filho colocou todos os policiais federais como suspeitos em concorrência direta com a caneta Bic e o famigerado pote de leite. Diante disso entendo que todos os policiais federais do Brasil devem fazer também o teste de DNA, para que não paire nenhuma dúvida sobre nenhum policial. Eu disse dúvida porque, culpa, todos já temos, já que os noticiários, a população e os parlamentares acusam a Polícia Federal. E como a Polícia Federal somos nós policiais temos que assumir nossa culpabilidade, por infelizmente, ter um diretor geral que só pensou nele e no seu altivo cargo.

Francisco Carlos Garisto é ex-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais

Revista Consultor Jurídico, 30 de novembro de 2001, 16h03

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