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FHC na ONU

Presidente do STF elogia discurso de FHC na ONU

O discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso, na Assembléia Geral das Nações Unidas, foi uma manifestação "belíssima" que toda pessoa de bom senso "certamente, gostaria de subscrever". A opinião é do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio.

Para o ministro, o discurso de FHC (leia a íntegra, abaixo), apresentado neste sábado (10/11) "honrou o Brasil, pela coragem, pelo equilíbrio e pela firmeza". Marco Aurélio elogiou, ainda, a proposta de "globalização solidária" destacada no discurso.

Pouco antes de o governante dos Estados Unidos, George Bush, disparar uma nova saraivada de ameaças a países que simpatizariam com o terrorismo, o presidente brasileiro defendeu o Tribunal Penal Internacional, o Protocolo de Kyoto, a taxação do capital financeiro internacional e outras teses que o governo americano não aceita.

Em outra abordagem surpreendente, Fernando Henrique traçou relação entre os usuários de drogas, os paraísos fiscais e o terror. "Eles estão contribuindo para financiar o terrorismo", disse.

Para o ministro Marco Aurélio, independentemente de opinião diversa que se possa a ter a respeito da política interna brasileira, o presidente da República foi notável ao convocar o mundo para a "construção de uma ordem internacional mais justa".

FHC pregou também o fortalecimento da ONU, a criação de um Estado palestino, o equilíbrio social, econômico e as principais bandeiras humanistas contemporâneas. Disse também que o Brasil está disposto a receber refugiados afegãos e afirmou que, para ser bem-sucedida, a luta contra o terrorismo não pode ser unilateral.

"A Carta das Nações Unidas reconhece aos Estados membros o direito de agir em defesa própria. Isso não está em discussão. Mas é importante ser consciente de que o sucesso da luta antiterrorista não pode depender somente da eficiência das ações de autodefesa ou do uso da força militar de cada país", acrescentou.

Ele propôs a "globalização solidária" e criticou indiretamente os Estados Unidos. "Nosso lema há de ser o da "globalização solidária", em contraposição à atual globalização assimétrica", disse ele em seu primeiro discurso na abertura da Assembléia desde que foi eleito para seu primeiro mandato. A Assembléia foi instalada com a presença de 43 chefes de Estado ou governo e 115 ministros de Relações Exteriores.

Segundo o relato do repórter Sérgio Dávila, da Folha de S.Paulo, o discurso incisivo de FHC causou um certo mal-estar na delegação norte-americana, uma vez que George W. Bush seria o presidente que sucederia imediatamente FHC no plenário.

Condoleezza Rice, conselheira de Segurança Nacional, e Colin Powell, secretário de Estado dos EUA, trocavam bilhetes e olhares entre si na bancada reservada ao país.

FHC reivindicou a participação do Brasil no Conselho de Segurança e a ampliação do número de países membros. Para ele, a instância "não pode continuar a refletir o arranjo entre os vencedores de um conflito ocorrido há mais de 50 anos". Disse que o mesmo deve ocorrer com o G7/G8. "Já não faz sentido circunscrever a um grupo tão restrito de países a discussão de temas que têm a ver com a globalização e que incidem forçosamente na vida política e econômica dos países emergentes."

Sobre a criação de um Estado palestino, FHC afirmou que "o direito à autodeterminação do povo palestino e o respeito à existência de Israel como Estado soberano, livre e seguro são essenciais para que o Oriente Médio possa reconstruir futuro de paz".

Leia a íntegra do discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso na ONU :

"Ao saudar Vossa Excelência, senhor presidente, presto tributo à República da Coréia, que dá ao mundo um exemplo de dedicação à paz e ao desenvolvimento. Reitero minha admiração ao secretário-geral Kofi Annan, que junto com a ONU recebeu a merecida homenagem do prêmio Nobel da Paz. Mais do que nunca, precisamos agora de sua lucidez e coragem no esforço de construção de uma ordem internacional pacífica, democrática e solidária. Só o fanatismo se recusa a ver a grandeza da missão das Nações Unidas e de Kofi Annan.

Senhor presidente, senhoras e senhores, por uma tradição que remonta aos primórdios desta organização, o mês de setembro em Nova York é marcado por uma celebração do diálogo: a abertura do debate desta Assembléia Geral. Não foi assim este ano. A ação mais contrária ao diálogo e ao entendimento entre os homens marcou o mês de setembro em Nova York, como também em Washington: a violência absurda de um golpe vil e traiçoeiro dirigido contra os Estados Unidos da América e contra todos os povos amantes da paz e da liberdade.

Foi uma agressão inominável a esta cidade, que, talvez mais do que qualquer outra, é símbolo de uma visão cosmopolita. Uma cidade que sempre acolheu indivíduos de toda parte, como aos judeus holandeses de origem portuguesa que no século 17 se transferiram do Brasil para a então Nova Amsterdã. Nova York cresceu, prosperou e firmou-se dentro dos valores do pluralismo. Fez-se grande e admirada não só por sua herança judaica, anglo-saxã, mas também pela presença árabe, latina, africana, caribenha, asiática. Os atentados de 11 de setembro de 2001 foram uma agressão a todas essas tradições. Uma agressão à humanidade.

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Revista Consultor Jurídico, 11 de novembro de 2001, 11h59

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