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Despedida de cacique

Conheça o discurso de renúncia de ACM

Vamos viver o apagão energético, por culpa exclusiva de um governo imprevidente, moroso e autista.

Tenho em mãos relatórios da área energética relativos aos anos de 1996 e 2000, a que o governo não deu a menor importância, como de costume, aliás, mostrando com evidente clareza que a demanda de energia elétrica no país crescia em espantosa velocidade, diametralmente oposta à dos investimentos no setor.

Os relatórios mostravam ao primeiro mandatário da Nação que ou ele trabalhava em sintonia com os apelos da sociedade, ou mergulharíamos, logo logo, no caos irremediável.

E ele vai dizer que se surpreendeu com a falta de solidariedade de São Pedro!

Não tenho nada a lamentar pela queda de popularidade de nenhum homem público. O que lamento, o que deploro, de coração, é que a sociedade tenha que pagar um preço tão elevado pela omissão e pela imprevidência dos que hoje a governam.

O governo não quis fazer os investimentos que o setor energético exigia. Eis hoje a que ponto chegamos.

E o pior é que, com o apagão, que o povo vai pagar caro, o governo ainda queira capitalizar-se para fazer investimentos, não no setor energético, mas em outras coisas que nem sempre serão as melhores para o Brasil.

Meus senhores, Minhas senhoras,

O que me aterroriza mais do que o apagão energético é o apagão moral que há muito se abateu sobre os nossos horizontes, infelizmente com a leniência do governo.

O governo tem feito muito pouco para que se apurem os desvios de verbas públicas no País. Mesmo os casos apurados resultam em nada em termos de ressarcimento.

Não conheço um caso, um só caso ao menos, de um condenado pelo desvio de recursos públicos que tenha devolvido ao país um centavo dos milhões subtraídos do povo.

É culpa do governo, sim, mas é culpa, também, de uma Justiça que não é operante, como deveria ser em vários casos.

Agora mesmo já se anuncia a absolvição de Sérgio Naya; amanhã será a vez do Lalau e o apagão moral deste país continua cada vez mais grave.

Enquanto isso, um empresário paulista do PNBE, com 16 processos na Justiça pelos mais variados crimes, dá-se ao deboche de promover a entrega de pizza neste Parlamento!

Um desrespeito ao povo brasileiro. Ele deveria ser colocado não como um pizzaiolo, mas como um ladrão que efetivamente é! Mas não estamos no país dos nomes trocados?

Não quero que pensem que tenho ódio do senhor presidente da República. Não lhe quero mal. Deveria até querer, mas o ódio não se abriga no meu coração nem na minha consciência.

Portanto, acho justo que lhe dê alguns conselhos:

Não se julgue o infalível;

Não reclame de todos e contra todos, como tem feito ultimamente;

Deixe de se considerar uma entidade superior, onipotente, onipresente, abstrata e infalível;

Assuma os erros que são seus e não dos outros, muito menos do povo, que é a grande vítima de seus grandes desencontros;

Tenha humildade, faça reflexão e veja que esta situação não pode continuar. As áreas sociais estão abandonadas.

Enquanto isso, continuamos rigorosamente em dia com o FMI e os organismos internacionais, que nos asfixiam, nos menosprezam e ridicularizam.

Discordo dos que dizem que o senhor presidente da República não tem gosto para governar. Não penso assim. Eu o considero um homem inteligente, capaz, vaidoso, mas nem por isso perde as qualidades de um possível bom governante.

Entretanto, o governo é indelegável. O presidente, num regime presidencialista, tem que comandar todos os setores da administração pública. Se não os comanda, acaba por fazer delegações a quem não merece recebê-las. Os resultados são sempre funestos para o país. São muitos os exemplos do seu ministério.

O senhor presidente da República tem que mudar de orientação no tempo que lhe resta de governo, para ver se ainda consegue recuperar o prestígio que o fez presidente duas vezes. Nada mais triste que uma despedida melancólica.

É preciso correr atrás do tempo perdido. A saúde vai mal, as estradas estão péssimas em todo país.

Revista Consultor Jurídico, 31 de maio de 2001, 0h00

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