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Escândalo na Corte

Filha de ministro do STF é acusada de falsificar documento

Um novo escândalo, desta vez de ordem pessoal, atingiu na segunda-feira (14/5) o Supremo Tribunal Federal. Uma das filhas do ministro Néri da Silveira, a enfermeira Themis Maria Dresch da Silveira Dovera, 41 anos, é suspeita de falsificar o registro de um recém-nascido.

O suposto crime teria ocorrido no Hospital Materno-Infantil de Brasília (Hmib), na sexta-feira, quando a mãe da criança, Josélia Gonçalves da Silva, foi submetida a uma cesariana. Themis teria determinado a funcionários do Hmib que modificassem a declaração de nascido vivo, documento fornecido pelos hospitais a partir do qual os pais conseguem registrar os filhos nos cartórios. A enfermeira teria pedido que o nome da mãe da criança fosse trocado pelo de outra mulher, conhecida por Francinéia.

A desculpa para a mudança teria sido que, ao chegar nervosa no hospital, Josélia teria dado um nome errado. A troca somente foi descoberta porque, quando recebeu alta, ela teria reclamado que o nome que constava na declaração não era o dela.

Inquérito

O delegado-titular do 1.º Distrito Policial, Antônio Cavalheiro, informou que tem um prazo de 30 dias para concluir o inquérito aberto com o objetivo de apurar o suposto crime. Na investigação, os policiais deverão verificar se, eventualmente, existem outros casos de fraudes em registros do hospital.

O delegado explicou que, dependendo do resultado das investigações, Themis poderá responder a processo por falsificação de documento público, cuja pena é de dois a seis anos de reclusão, e adoção irregular, com punição de seis meses a dois anos.

Ex-presidente do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e extremamente católico, Néri da Silveira não quis se manifestar sobre o ocorrido. Pessoas que tiveram contato com o ministro informaram que ele estava "arrasado".

Versão

Em Brasília, porém, circulou uma versão não-oficial para o fato segundo a qual Themis teria fraudado o registro com o objetivo de ajudar Josélia e Francinéia, que moram em Gama, cidade-satélite de classe baixa do Distrito Federal.

Francinéia adotaria, informalmente, o filho de Josélia. As duas teriam pedido a ajuda de Themis, que freqüenta a mesma igreja delas. O objetivo seria driblar a adoção legal, por meio de um juiz da Vara de Infância, uma vez que Francinéia não tem posses.

Fonte: Agência Estado

Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2001, 0h00

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