NotÃcias
29 janeiro 2001
Formação profissional
Advogados opinam sobre ampliação do curso de Direito para 7 anos
A duração do curso de Direito pode ser ampliada, de cinco para sete anos. Esse é um dos objetivos do novo presidente da OAB Nacional, Rubens Approbato Machado.
Com essa iniciativa, Approbato quer ver melhorada a qualidade dos cursos e dos formandos, mesmo que o assunto se transforme em polêmica. "É papel da OAB estabelecer polêmicas", disse ele à Agência JB.
Approbato propõe que o curso de Direito seja semelhante ao modelo adotado em vários paÃses da Europa, com a divisão em dois nÃveis. O primeiro formaria o bacharel e o segundo habilitaria os "operadores" do Direito.
Assim, só prestariam o exame da Ordem quem tivesse cursado o segundo nÃvel. Completados os dois nÃveis, os formandos poderiam prestar concursos para a Magistratura e para o Ministério Público.
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Paulo Costa Leite, considera boa essa idéia, mas acha difÃcil a sua implementação.
A proposta de ampliar a duração do curso de Direito, de cinco para sete anos, tem o apoio de advogados renomados. Ricardo Tosto, sócio do escritório Leite, Tosto e Barros, acha a medida necessária, considerando "a péssima qualidade dos cursos e dos formandos".
Na opinião de Eduardo Diamantino, do escritório Diamantino Advogados Associados, qualquer forma de atualização e aperfeiçoamento nos cursos jurÃdicos é bem vinda. "Nós somos a favor de um sistema similar aos utilizados na residência médica", onde o formando, para exercer a profissão, deve cumprir um perÃodo de prática profissional.
Diamantino acrescenta ainda que em paÃses como Itália e Estados Unidos o perÃodo de aprimoramento é até maior. Depois dos quatro anos de faculdade, para se tornar um advogado, o aluno tem que enfrentar uma carga de estudos de mais quatro anos.
Também em defesa do presidente da OAB está o advogado Gustavo Granadeiro, do escritório Granadeiro Guimarães Advocacia. Na sua opinião, o nÃvel dos novos advogados é muito baixo. "Acompanhamos diariamente petições de advogados que mal sabem o português".
Para ele, a prova do baixo nÃvel está na existência dos cursinhos que preparam os formandos para o exame da OAB. "Esses cursos são, na verdade, uma forma deselegante de dizer ao aluno que ele não aprendeu tudo o que deveria ter aprendido", diz Gustavo Granadeiro.
No entanto, além de defender a ampliação do tempo do curso, Granadeiro chama a atenção para todas as faculdades. Na sua opinião se, de um lado há escolas fracas, de outro há instituições fortes com professores renomados, mas com pouco interesse em passar suas experiências e seus ensinamentos. Esses, muitas vezes transferem para seus auxiliares a função de preparar o aluno para o mercado de trabalho.
Contrário à proposta do presidente da OAB, o advogado Celso Umberto Luchesi, do escritório Zaclis & Luchesi, acha que prolongar o tempo do curso, vai onerar mais os alunos das escolas privadas e não vai resolver o problema da qualidade de ensino.
"Os cursos jurÃdicos devem passar por uma revisão do conteúdo programático", acrescenta Luchesi. Para ele, o advogado precisa conhecer áreas, como contabilidade, administração, economia, entre outras. Isso é que poderia ampliar o tempo do curso, "mas acho que dois anos é muita coisa", diz.
Como medida preventiva, e para impedir que caia a qualidade de sua equipe de advogados, Ricardo Tosto avisa que seu escritório só contratará estagiários e advogados vindos dos cursos que tiverem o selo 'OAB recomenda'.
O presidente eleito da OAB Nacional pretende promover uma grande reunião para debater a idéia. Vai convidar o Ministério da Educação, as Faculdades de Direito, as associações de magistrados, do Ministério Público e dos estudantes.
Revistas Consultor JurÃdico, 29 de janeiro de 2000.
Revista Consultor JurÃdico, 29 de janeiro de 2001
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