NotÃcias
19 dezembro 2001
Posse na AMB
Cláudio Maciel toma posse na AMB e alfineta os três Poderes
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Cláudio Baldino Maciel, tomou posse na semana passada. Durante o discurso de posse, criticou a "hipertrofia do Poder Executivo" e a prática de alguns parlamentares que trocam apoio aos projetos do governo pela liberação de verbas orçamentárias.
"O que surpreende é a inércia cÃvica ante tal despropósito ético-polÃtico", afirmou. "O modelo democrático-constitucional brasileiro está em flagrante crise", acrescentou.
Maciel também ressaltou que "o sistema judiciário está em cheque". De acordo com o desembargador, a crise é de funcionalidade e não de estrutura. Também disse que os problemas são facilmente superáveis por uma legislação infraconstitucional.
Ele disse que a legislação brasileira, "abundante, desconexa, anárquica", valoriza mais o processo do que "a entrega da decisão final justa e útil, em tempo breve". Maciel criticou, ainda, a prática do nepotismo. Afirmou que é necessário "afastar definitivamente a confusão entre o interesse privado, familiar, e o interesse público, que só pode conviver com oportunidade rigorosamente igual para todos".
A entidade representa cerca de 15 mil juÃzes do paÃs. A solenidade foi no Hotel Blue Tree Park, em BrasÃlia.
Compareceram à posse da nova diretoria da AMB os presidentes do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio de Mello, do Superior Tribunal de Justiça, ministro Paulo Costa Leite, e do Superior Tribunal Militar, ministro Olympio Pereira da Silva Junior. Também estiveram presentes o senador Roberto Saturnino Braga (PSB/RJ), o deputado federal Valdemar Costa Neto (PL/SP), os ministros Ronaldo Leal, do Tribunal Superior do Trabalho, Sepúlveda Pertence, do STF, entre outros.
O ex-presidente, desembargador Antonio Carlos Viana Santos, durante discurso de despedida ressaltou duas de suas principais realizações. São elas, a instalação definitiva da sede da AMB em BrasÃlia e a regulamentação da Escola Nacional da Magistratura.
Conheça os integrantes da chapa vencedora
ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS BRASILEIROS - AMB
(2001-2004)
CONSELHO EXECUTIVO
Presidente
Cláudio Baldino Maciel - AJURIS - RS
Vice-presidentes
Cláudio Augusto Montalvão das Neves - AMEPA - PA
Douglas Alencar Rodrigues - AMATRA-X - DF
Guilherme Newton do Monte Pinto - AMARN - RN
Gustavo Tadeu Alkmim - AMATRA-I - RJ
Heraldo de Oliveira Silva - APAMAGIS - SP
Joaquim Herculano Rodrigues - AMAGIS - MG
Jorge Wagih Massad - AMAPAR - PR
Luiz Gonzaga Mendes Marques - AMAMSUL - MS
Roberto Lemos dos Santos Filho - AJUFESP - SP
Sônia Maria Amaral Fernandes Ribeiro - AMMA - MA
Thiago Ribas Filho - AMAERJ - RJ
Coordenador da Justiça Estadual
Rodrigo Tolentino de Carvalho Collaço - AMC - SC
Coordenador da Justiça Federal
José Paulo Baltazar Júnior - Justiça Federal - RS
Coordenador da Justiça do Trabalho
Francisco Sérgio Silva Rocha - AMATRA-VIII - PA
Coordenador da Justiça Militar
Carlos Augusto C. de Moraes Rego - AMAJUM - DF
Coordenador dos aposentados
Cássio Gonçalves - AMATRA-III - MG
Conselho Fiscal
João Pinheiro de Souza - AMAB - BA
Jomar Ricardo Saunders Fernandes - AMAZON - AM
Wellington da Costa Citty - AMAGES - ES
Leia a Ãntegra do discurso de posse de Cláudio Maciel
Minhas primeiras palavras são de agradecimento aos colegas que, comigo, aceitaram compor uma equipe para administrar a Associação dos Magistrados Brasileiros, cientes das enormes dificuldades que o momento atual apresenta. Também quero manifestar nossa gratidão pela confiança de expressivo número de colegas que, pelo sufrágio, aprovou e acolheu nossas idéias e propostas. A magistratura brasileira reconheceu as virtudes da AMB, mas quer mudanças, e o resultado das urnas nos dá respaldo para atuar com profundidade e ousadia.
Transmito meus cumprimentos ao ilustre presidente Vianna Santos e a cada um dos membros da diretoria que ora se despede, sendo testemunha de que deram o melhor de si para o êxito de nossa associação.
Há necessidade - e sabem-no os colegas - de reafirmar, de insistir nos rumos da AMB no que concerne à visão generosa e ampla da inclusão da magistratura no debate nacional, no espaço da cidadania, afastado qualquer resquÃcio de corporativismo reducionista. Face ao crescimento de nossa associação de classe, é preciso, também, modificar critérios de administração e tornar a associação mais eficiente. Carece a entidade de um modelo de administração pautado pela impessoalidade, profissionalismo e maior visibilidade para todos os associados.
Aproveitaremos os primeiros meses de gestão para colocar em prática essa meta, fazendo um profundo diagnóstico dos problemas administrativos da associação, para logo corrigi-los, dialogando e de tudo dando ciência aos colegas. Será tarefa dura, porque a extinção de subsedes implicará demissão de empregados, alguns bons profissionais, e outros, nossos amigos, mas será necessária.
Revista Consultor JurÃdico, 19 de dezembro de 2001
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