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Abuso sexual

Igreja Católica dos EUA paga US$ 5,2 milhões por abuso sexual

A Igreja Católica pagou US$ 5,2 milhões a um californiano como parte de acordo em um processo no qual ele alegava ter sido sexualmente molestado por um padre quando era adolescente. Segundo especialistas, é o maior pagamento já feito pela igreja a uma só pessoa. Agora, haverá mudanças drásticas na forma pela qual a Igreja Católica do sul da Califórnia deve lidar com alegações de abusos sexuais por seus sacerdotes.

Segundo o acordo, as mudanças incluem a fiscalização mais rígida de uma política já existente de "não confraternização" fora dos horários dos serviços religiosos, maior agilidade ao tomar medidas contra padres que molestam crianças e assistência para vítimas de abuso sexual.

O juiz James Gray, do Tribunal Superior do Condado de Orange, também mandou os funcionários da diocese, onde o abuso teria ocorrido, pedir desculpas publicamente ao californiano e a outros quatro homens.

Eles alegaram ter sido sexualmente molestados pelo padre, Michael Harris, desde 1979. Em seu processo, o californiano de 28 anos, disse que o padre o tocou e o molestou sexualmente duas vezes em 1991. Ele afirmou que teve de lutar contra a depressão e pensamentos suicidas por anos.

Harris, que foi diretor de duas escolas católicas, negou as acusações. Apesar de ter aceitado, a pedido da igreja, enviar ao Vaticano um pedido para deixar o sacerdócio, ele disse que o acordo foi feito por "razões comerciais".

Um bispo do Condado de Orange, divulgou uma nota expressando "profunda tristeza" e cumprimentando os homens pela coragem ao relatar o abuso. "Apesar do padre continuar negando sua má conduta, a diocese tem sérias dúvidas sobre sua inocência nesses assuntos, levando-se em consideração o número de queixas feitas contra ele, a semelhança entre elas e a aparente sinceridade das pessoas que as fizeram", disse.

Membros do clero em Los Angeles disseram que um padre da arquidiocese foi "informado, mas não tomou nenhuma medida a respeito de alegações de que o padre havia molestado um aluno sexualmente no fim dos anos 70".

Segundo a advogada do californiano, o fato de a igreja ter pago a quantia e dito que irá pedir desculpas publicamente já às vítimas é um reconhecimento. "Estão admitindo ter feito algo errado".

Funcionários da igreja negam ter tido conhecimento de alegações de abuso sexual na época em que o padre era diretor dos colégios. O promotor de Orange disse não ter provas suficientes para abrir processos civis ou penais contra o padre.

Quatro testemunhas do processo que afirmam ter sofrido abusos sexual devem receber o pedido público de desculpas por parte da igreja.

Conhecido como "Padre Hollywood" em Orange por causa de sua beleza, Harris era considerado uma figura respeitável da igreja. Quando deixou o colégio, em 1994, centenas de pais e alunos fizeram uma passeata para apoiá-lo. No mesmo ano, Harris abriu uma organização filantrópica de construção de casas populares.

Fonte: Folha de S. Paulo

Revista Consultor Jurídico, 22 de agosto de 2001, 11h12

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