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Processo atômico

Cientista chinês é solto depois de confessar que fez download

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ALBUQUERQUE, Novo México - Wen Ho Lee, o ex-cientista do Laboratório Nacional de Los Alamos, foi libertado nesta quarta-feira (13) após se declarar culpado da acusação de realizar o download indevido de segredos nucleares, dentro do acordo acertado com o governo.

O juiz James Parker aceitou o acordo e libertou Lee, após decretar uma sentença de 278 dias, pena que ele já cumpriu. Ele também foi multado em 100 dólares.

O juiz pediu desculpas a Lee pela "forma injusta" como foi encarcerado e disse que os Departamentos de Justiça e de Energia "embaraçaram todo o país e cada um dos cidadãos dele".

Autoridades federais defendiam a manutenção de Lee em confinamento solitário para limitar sua comunicação com estranhos. "Quando alguém rouba nossos segredos nucleares, nós impedimos que se comunique com alguém", disse George Stamboulidis, promotor federal assistente.

Os promotores e advogados de Lee chegaram a um acordo depois que o cientista disse que retiraria as alegações de que estava sendo vítima de perseguição racial, e os promotores disseram que retirariam o pedido para que fosse mantido na prisão.

A promotoria negou que Lee tenha sido indiciado por causa de sua etnia. "O Dr. Lee não foi processado por causa de sua raça", disse Norman Bay, outro promotor federal assistente. "Ele foi processado por causa do que fez".

"Este caso não se deve por motivo racial. Se deve às ações de um homem que manipulou de forma errada enormes quantidades dedados confidenciais". Segundo o acordo judicial, os promotores poderão interrogar Lee sob juramento e reinstalar as acusações caso descubram que ele mentiu, disseram os promotores.

"Eu estou muito feliz de voltar hoje para casa com minha esposa e meus filhos", disse Lee em breves comentários para os jornalistas do lado de fora do tribunal. "Eu quero agradecer a todas as pessoas que me apoiaram. Eu agradeço demais. Nos próximos dias, eu vou pescar".

O acordo foi uma derrota para o governo, que originalmente acusou Lee de 59 delitos e o retratou com um espião do governo chinês. À medida que o caso se desenrolava nas últimas semanas, as autoridades do governo sugeriram que Lee poderia na verdade ter fornecido segredos para outros governos.

No final, ele não foi acusado de espionagem. Algumas autoridades do governo culparam o Federal Bureau of Investigation (FBI) por prestar falso testemunho durante as audiências de instrução, o que prejudicou o caso do governo.

E um advogado do governo disse que o Laboratório Nacional de Los Alamos prejudicou o caso ao fornecer pontos de vista conflitantes quanto ao valor das informação obtidas indevidamente por Lee.

No domingo, o governo concordou em reduzir as acusações para apenas um delito, o de ter obtido e retido ilegalmente segredos de armamentos nucleares.

Mas as negociações desta semana retardaram a libertação de Lee. Amigos e vizinhos do cientista vieram novamente ao tribunal na quarta-feira com camisetas onde estava escrito "Libertem Wen Ho Lee Já".

As autoridades ligadas ao caso disseram que o atraso na conclusão do acordo foi causado por várias questões que estavam sendo debatidas entre os advogados: os investigadores poderiam perguntar sobre qualquer esforço da China para roubar segredos nucleares secretos? E Lee poderia ser processado por qualquer outro crime que vier à tona durante o trabalho dos investigadores?

Segundo o acordo, Lee seria sentenciado pelo tempo que já cumpriu na prisão, os nove meses desde que foi preso, mas não estará sujeito a condicional. Ele também concordou em cooperar com os investigadores, explicar por que realizou o download de uma enorme quantidade de dados nucleares e o que fez com as sete fitas de computador de informações que desapareceram. "A Justiça venceu hoje", disse Stamboulidis.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Fonte: The New York Times

James Sterngold é jornalista do jornal The New York Times

Revista Consultor Jurídico, 14 de setembro de 2000, 0h00

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