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Opção pelo silêncio

Para não se incriminar mais, Pimenta cala-se em interrogatório.

O jornalista Antônio Pimenta Neves, que matou a ex-namorada, Sandra Gomide, manteve-se calado no interrogatório programado para esta quarta-feira (13/9). Ele se disse "confuso, desmoralizado e sem condições de falar".

O jornalista informou que a opção pelo silêncio foi uma deliberação tomada junto com seu médico e seus advogados. A Constituição lhe garante esse direito.

Por ora, a versão que permanece nos autos é o depoimento que Pimenta deu à polícia, quando ele se auto-incriminou, dizendo que cometera o homicídio porque foi contrariado pela namorada.

Em sua chegada à Vara Criminal de Ibiúna, Pimenta enfrentou manifestações populares contra ele.

Logo na abertura da audiência os advogados Arnaldo Malheiros Filho e José Carlos Dias apresentaram petição à juíza, informando que seu cliente não falaria no ato, sob a alegação de que ele "não se encontra no pleno domínio de sua consciência, parcialmente toldada pelo inevitável abalo emocional relacionado com os fatos noticiados na denúncia, ao qual se soma seu quadro psíquico".

A petição não descarta a hipótese de que Pimenta venha a ser interrogado em outra fase do processo, como é permitido por Lei (art. 196 do Código de Processo Penal), consignando que "a postura silente (de Pimenta) não decorre de acinte ou capricho, mas da verdadeira impossibilidade de se expressar de modo fidedigno".

Os advogados pediram ainda a revogação da prisão preventiva, afirmando que se deferida, Pimenta será internado em clínica psquiátrica, para da qual não sairá sem prévia comunicação ao Juízo.

No próximo dia 28, acontece a audiência em que serão ouvidas as testemunhas de acusação. Foram arrolados quatro empregados do haras onde Sandra foi morta e quatro familiares dela. A promotora Lucia Nunes Bromerchenkel requereu e a juíza Eduarda Maria Romeiro Corrêa deferiu a convocação de mais duas testemunhas.

Essas duas testemunhas são o empregado do Haras, João Quinto de Souza, que diz ter visto Pimenta atirar em Sandra e o delegado do DHPP Marcelo Damas.

A oitiva do jornalista Carlos Franco, que já declarou por escrito que Pimenta fez de tudo para que Sandra não conseguisse emprego só acontecerá se a juíza considerar necessário.

A tentativa de interrogatório foi acompanhada pelos advogados de defesa, José Carlos Dias e Arnaldo Malheiros Filho; e de acusação, Márcio Thomaz Bastos e Luiz Flávio Gomes.

Revista Consultor Jurídico, 13 de setembro de 2000, 0h00

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