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Mariz abandona Pimenta

Mariz, sem honorários, abandona o caso Pimenta.

O criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira não é mais advogado do jornalista Antônio Pimenta Neves, que está sendo julgado pelo assassinato de Sandra Gomide.

Mariz havia sido chamado para o caso pelo advogado do jornal O Estado de S.Paulo, Manuel Alceu Ferreira, onde Pimenta era diretor de redação. Com o desenrolar dos fatos, contudo, os proprietários do jornal desistiram de arcar com os custos da defesa do jornalista.

O criminalista vinha se queixando de que o estado de nervos de seu cliente não comportava discutir o assunto e o mesmo ocorria com as filhas do jornalista. Por outro lado, a intensidade do caso vinha monopolizando sua atividade profissional. "Isso está tomando todos os minutos da minha vida", reclamou ele a um amigo.

Entre os nomes cogitados para substituir Mariz estão o do ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias e o de Waldir Troncoso Perez.

É a segunda vez que Mariz deixa um caso clamoroso pelo mesmo motivo. Anteriormente, ele havia abandonado a defesa do tesoureiro de Fernando Collor de Mello, PC Farias. Mariz não foi localizado em seu escritório, nem em sua casa ou celular para comentar os fatos. Segundo seus familiares, ele viajou.

No anúncio público que fez, divulgado pelo site www.ig.com.br o criminalista informa que concluirá o acompanhamento dos pedidos de habeas corpus feito junto ao TJ paulista, mas se retira definitivamente do caso assim que for substituído.

Leia o comunicado à imprensa divulgado por Mariz de Oliveira

"Durante 18 dias, eu e meus companheiros de escritório nos esfalfamos na defesa de Antônio Marcos Pimenta Neves.

Esforços intelectuais, físicos e materiais não foram poupados. Não se olvide o desgaste emocional, o sofrimento solidário e a mão estendida nos momentos mais dramáticos desse período.

Como, no entanto, o êxito do seu trabalho não depende do advogado - esta é a grande tragédia da profissão - incompreensões e, mais do que elas, interferências, começaram a surgir. Estas ferem valores sagrados da advocacia: a confiança e a independência.

No caso, tais valores foram atingidos por amigos e por familiares de Pimenta.

Assim sendo, não me resta outra alternativa a não ser declinar do mandato outorgado. Esclareço que ficarei no caso até ser substituído por outro colega, que já deve estar sendo contactado.

Ademais, atuarei nos habeas-corpus por mim impetrados perante o Tribunal de Justiça de São Paulo até os respectivos julgamentos finais."

Antônio Cláudio Mariz de Oliveira

Revista Consultor Jurídico, 8 de setembro de 2000, 0h00

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