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IG X Maluf

Maluf anuncia processo contra o iG por editorial pró-PT

O provedor de acesso IG poderá ser vítima de um processo movido pelo candidato Paulo Maluf por ter manifestado sua opinião em editorial divulgado nesta terça-feira (24/10).

Intitulado de "Basta ao malufismo", o texto recomenda aos internautas que não votem no candidato à prefeitura paulistana, Paulo Maluf e sim em sua adversária, Marta Suplicy.

O jornal "Último Segundo", que é a seção noticiosa do IG também afirma ser "prioritário evitar que o malufismo, com sua baixa capacidade de zelar pelo dinheiro público e com sua pouca afinidade com a ética e a cidadania, volte a dominar São Paulo".

Segundo o advogado Maurício Leite - do escritório Leite, Tosto e Barros que representa Maluf -, ao publicar o editorial o site infringiu o art. 45 da Lei 9.504/97.

Pela legislação, afirmou Leite, "nenhum veículo pode emitir opinião favorável ou contrária a qualquer candidato a partir de 1º de julho do ano de eleição".

Se condenado o IG poderá ter que retirar o editorial do ar e ainda ter que pagar multa eleitoral que vai de 20 mil até 100 mil ufirs.

O advogado não descartou a possibilidade de ações cíveis ou criminais por ofensa à honra. No entanto, a entrada de tais processos ainda está sendo estudada.

Para o editor-chefe do "Último Segundo", Leão Serva, é inaceitável que a legislação e o Judiciário aceitem dois pesos e duas medidas, "utilizando uma regra para o jornais eletrônicos e outra para jornais impressos".

Leia a íntegra do Editorial publicado pelo IG

Basta ao malufismo

As eleições municipais do 2000, em São Paulo, estão sendo marcadas por um fato jornalisticamente importante. Sem prestar abertamente apoio à favorita nas pesquisas, os principais jornais da capital paulista romperam uma tradição de anos e publicaram editoriais sugerindo a seus leitores/eleitores que há uma diferença entre as duas candidaturas. À histórica eqüidistância, os diários preferiram o apoio implícito.

As condições que produziram a necessidade de os jornais não se posicionarem em eleições estão mudando no Brasil. Temos eleições democráticas e sob o mais amplo direito de manifestação das opiniões. Os eleitores têm tempo suficiente para conhecer as propostas dos candidatos, e o município de São Paulo tem um eleitorado maduro para decidir sobre os seus próprios destinos, longe das teorias paternalistas que vicejam entre as mais diferentes correntes ideológicas.

Neste contexto, o Último Segundo, um veículo com proposta inovadora nascido no bojo da mais espetacular mudança tecnológica que a humanidade já assistiu, não hesita em afirmar que, no momento, é prioritário evitar que o malufismo, com sua baixa capacidade de zelar pelo dinheiro público e com sua pouca afinidade com a ética e a cidadania, volte a dominar São Paulo. Embora mantenha o compromisso de preservar a cobertura jornalística isenta e equânime, o Último Segundo recomenda por meio deste editorial que seus internautas não votem no candidato do PPB à Prefeitura de São Paulo.

Este jornal da Internet não seria hipócrita de dizer que, ao não aconselhar o voto em Paulo Salim Maluf, também não estaria recomendando o voto na candidata do PT, Marta Suplicy. No segundo turno, quem não recomenda uma está indubitavelmente emprestando apoio à outra candidatura. O Último Segundo assume que está aconselhando seus internautas a votarem em Marta Suplicy. Mas indicá-la como a melhor alternativa política para a cidade, neste momento, não significa assinar um cheque em branco.

O Último Segundo fica na vigilante expectativa de que Marta Suplicy, caso eleita, tenha a necessária dimensão histórica do papel que vai ocupar no comando administrativo da cidade mais rica do país, que viveu anos de pleno desgoverno, e que ela seja a prefeita dos paulistanos e não a prefeita do PT. Quanto a este partido, o Último Segundo só pode esperar que tenha aprendido com os erros cometidos no passado, nessa mesma Prefeitura, e que ele possa contemplar a sofrida e laboriosa população de São Paulo com menos discurso e mais eficiência executiva."

Revista Consultor Jurídico, 24 de outubro de 2000, 0h00

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