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Pimenta fora da Prisão

TJ autoriza estada de Pimenta Neves em clínica por 10 dias

O desembargador Gentil Leite, 2º vice-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo atendeu o pedido da defesa do jornalista Pimenta Neves. Ele poderá permanecer em uma Clínica da Granja Julieta pelo prazo de dez dias, enquanto seus advogados tentam anular a ordem de prisão.

O Ministério Público, a quem cabe o recurso para cassação da liminar só irá se manifestar nesta segunda-feira. Segundo o chefe de gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça, Paulo Afonso Garrido de Souza, o MP deve pedir uma nova avaliação médica para concluir se o estado de saúde do jornalista justifica o tratamento especial.

Pimenta Neves assassinou sua ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide no último dia 20.

Na sexta-feira, a Delegacia da Mulher, onde Sandra registrou Boletim de Ocorrência narrando a invasão de seu apartamento por parte de Pimenta Neves, no último dia 5, recebeu o exame de corpo de delito feito na ocasião.

O resultado demonstra que Sandra foi realmente agredida naquela noite, conforme informara na delegacia.

Segundo revelou a jornalista Angélica Santa Cruz no site no., há nos Estados Unidos registro policial feito pela ex-mulher de Pimenta, Carole Neves onde ela o acusa de tê-la agredido com o cano de uma arma durante uma discussão. Antes que a acusação pudesse render maiores dores de cabeça para Pimenta, no entanto, Carole retirou a queixa.

O desenrolar dos fatos em torno do inquérito está expondo as fragilidades do sistema judiciário do país e de São Paulo, em particular.

Por ter como indiciado o diretor afastado de um dos maiores jornais brasileiros, o caso tornou-se uma grande confusão.

Enquanto o promotor Marcelo Milani explicava-se junto à Procuradoria-Geral de Justiça, em função da suspeita de que ele teria ajudado a TV Globo a gravar o interrogatório de Pimenta, a polícia e a Justiça desentendiam-se sobre o destino que se deveria dar ao preso.

Os agentes policiais transferiram Pimenta Neves para a clínica de repouso, na zona sul de São Paulo. A juíza de Ibiúna, responsável pelo caso, havia concordado por telefone com a transferência, mas condicionou a autorização formal à apresentação de laudo médico. Acabou não autorizando.

Mesmo informada de que a ordem de prisão fora mantida, a polícia esperou até que o TJ concedesse a liminar autorizando Pimenta a ficar na clínica para aparecer no local.

Mantido o promotor de Justiça Marcelo Milani, tudo indica que a denúncia de homicídio duplamente qualificado será apresentada ao Judiciário já no início da semana.

A OAB-SP divulgou nota de protesto pela gravação das imagens de Pimenta Neves pela TV Globo. Mas nada comentou sobre o fato de o Judiciário ter impedido a prisão do jornalista com base em uma recomendação feita pelo médico pago por Pimenta e não por um especialista neutro em relação ao caso.

Revista Consultor Jurídico, 25 de agosto de 2000, 0h00

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