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Morte no Haras

Pimenta Neves, diretor do Estadão, mata ex-namorada.

Transtornado, desde que foi abandonado pela namorada, Antônio Pimenta Neves, de cerca de 63 anos de idade, matou a tiros a também jornalista Sandra Gomide, de 32 anos.

Diretor de redação do jornal O Estado de S.Paulo, Pimenta Neves já havia demitido Sandra, que ocupava o cargo de Editora de Economia do jornal, mas ainda tentava uma reconciliação.

Há cerca de duas semanas, Pimenta foi ao apartamento de Sandra, armado. Lá, depois de agredi-la e ameaçar suicídio, caso ela não o aceitasse de volta, ele exigiu a devolução de todas as jóias com que a havia presenteado. Essa, pelo menos, foi a versão registrada em boletim de ocorrência, no 36º distrito policial (Paraíso), na capital paulista, relatando invasão de domicílio e agressão.

Na tarde de domingo, por volta de 15h, Pimenta foi ao haras próximo do sítio da família de Sandra, onde ela montava e alugava uma baia, no município de Ibiúna. Lá, matou-a com dois tiros - um na cabeça e outro nas costas. Em seguida, fugiu dirigindo seu Clio preto.

Segundo as testemunhas, Sandra só teve tempo de gritar "Não, Pimenta. Não", antes de cair. O jornalista abandonou o carro nas proximidades do Haras e desapareceu.

O delegado titular de Ibiúna, Lincoln Amorim Korisawa, às 23h30 ainda se encontrava no haras para concluir o boletim de ocorrência. O caso, no entanto, foi assumido pela equipe "H" do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Polícia Civil de São Paulo. Seis investigadores foram designados para as buscas.

No início da madrugada, os policiais ainda interrogavam o dono do haras e seus funcionários.

Depois do crime, Pimenta ainda telefonou para um jornalista do Estadão, pedindo que ele entrasse em contato com a polícia para saber se Sandra, de fato, morrera. Mas seu paradeiro era ignorado pela polícia até o final da noite de domingo.

Ainda no domingo, a direção do Estadão reuniu-se no jornal para avaliar a situação. Por indicação do advogado da Casa, Manoel Alceu Ferreira, foi chamado o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira para assumir o caso. Segundo divulgou a rádio CBN, Mariz anunciou que Pimenta se apresentaria nesta segunda-feira.

Jornalista respeitado, Pimenta Neves foi correspondente de diversas publicações brasileiras em Washington, onde chegou a ocupar uma das diretorias do Banco Mundial, assessorando a vice-presidência da instituição para a América Latina. Lá, casou-se com uma cientista norte-americana com quem teve duas filhas gêmeas, hoje com 28 anos - uma delas acometida de câncer.

De volta ao Brasil, Pimenta assumiu a direção de redação do jornal Gazeta Mercantil, no início dos anos 90. Carole, sua mulher, não se adaptou ao Brasil e voltou para os Estados Unidos. O casal separou-se. No jornal, ele conheceu Sandra.

Quando Pimenta foi convidado para assumir a direção do Estadão, ele a levou consigo. As desavenças começaram depois que Sandra o informou que não queria prosseguir o relacionamento.

Inconformado, Pimenta, segundo relatos de Sandra a amigos, passou a persegui-la e teria mandado grampear seu telefone. Depois de demiti-la do jornal, ainda a procurava. A demissão gerou polêmica no jornal, onde a saída do diretor chegou a ser cogitada. Fez-se circular a versão de que Sandra fora demitida por desonestidade.

Pimenta, ultimamente, portou dois revólveres. Um teria sido emprestado pelo publicitário Enio Mainardi, seu amigo. Mainardi no entanto, nega taxativamente que a arma utilizada seja a sua. O outro teria sido adquirido de um secretário municipal paulistano. Esse secretário, contudo, não quis responder à pergunta que lhe foi encaminhada através de sua secretária.

Na última quinta-feira, o diretor do jornal chegou a demitir um jornalista que teria ajudado Sandra a conseguir uma colocação no site Patagon, especializado em noticiário econômico. Sandra começaria no novo emprego nesta segunda-feira.

Revista Consultor Jurídico, 20 de agosto de 2000, 0h00

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