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Violência no Paquistão

Anistia denuncia crimes brutais contra mulheres no Paquistão

A Anistia Internacional está denunciando o que chama de "indústria de assassinatos pela honra" no Paquistão. A pretexto de "lavar a honra", homens estariam matando suas mulheres para receber indenizações de supostos amantes, ou dos pais da vítima.

Segundo a Anistia, centenas de mulheres e meninas são mortas em todas as partes do país, em razão das anacrônicas normas de comportamento em vigor. A menor suspeita, como um boato espalhado em um vilarejo seria motivo suficiente para a execução.

A organização cita um caso concreto da violência. Samia Sarwar, de 29 anos, foi morta a tiros no escritório do seu advogado, em abril passado, quando pretendia divorciar-se. Seus pais teriam apoiado o crime, alegando que ela havia envergonhado sua família ao decidir pela separação, mesmo sabendo que há dez anos a moça era submetida a abusos pelo marido.

A compreensão tradicional sobre o que é honra estaria limitando os direitos básicos da mulher paquistanesa. Às mulheres não é dada uma única oportunidade de explicar ou esclarecer possíveis mal entendidos. A alegação de uma indiscrição é considerada motivo bastante para manchar a honra do homem ao qual elas "pertencem".

A tradição paquistanesa determina que a única forma de restaurar a reputação do marido é executar a mulher. Os crimes são baseados nos conceitos combinados de honra e comercialização: a mulher é desposada mediante pagamento de um valor ao pai da noiva. Se essa "mercadoria" for danificada, o proprietário, pai ou esposo, tem direito a uma compensação.

Se um marido mata sua esposa sob a alegação de má conduta sexual e seu pretenso amante sai ileso, este deve compensar o traído. Muitas vezes o suposto amante entregaria ao marido, além de uma grande soma em dinheiro, também uma irmã.

Segundo a Anistia Internacional, o governo do Paquistão tem se mostrado incapaz de prevenir ou punir esses crimes, e não tomam medidas contra leis e costumes que discriminam as mulheres.

Revista Consultor Jurídico, 1 de novembro de 1999, 0h00

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