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MP: Advogado chefia quadrilha

Advogado é acusado de extorquir a própria cliente

Um advogado, junto com três colegas de profissão, mais um arquiteto, um médico, dois investigadores de polícia, mais três pessoas, estão sendo acusados pelo Ministério Público de São Paulo de formação de quadrilha, entre outros crimes. Na denúncia, aceita na tarde de terça-feira (9/3) pela 12º Vara Criminal de São Paulo, o advogado Nelson Latif Fakhouri é acusado de utilizar-se de informações supostamente comprometedoras a respeito de sua cliente para extorqui-la.

Fakhouri teria aliciado seus cúmplices para entrarem em litígio com Adriana Goulart Issa Ibraim, que o contratou em março de 1996 para prestar assessoria jurídica em seus negócios na área imobiliária. Com os dados confidenciais dos negócios de Adriana, seu "defensor" teria passado a orientar seus cúmplices num processo de ameaças e tentativa de extorsão contra a cliente. A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Marcelo Batlouni Mendroni e recebida pelo juiz Rui Alberto Cavalheiro.

Parte das provas contra o advogado foram produzidas a partir de escuta telefônica realizada por terceiros e entregues a Adriana Ibraim via correio. As demais gravações foram autorizadas pelas Justiça. Segundo Luiz Riccetto Neto, advogado de Adriana, o material contém trechos onde Fakhouri instrui terceiros a praticar extorsão contra ela.

Fakhouri já respondeu a processos por estelionato (3 vezes), apropriação indébita e subtração de autos. Juntamente com sua companheira, a advogada Diva Bolla, Fakhouri respondeu por suposta prática de homicídio, em 1983. O caso, arquivado à época, pode ser reaberto em breve com a descoberta de novas evidências. O processo está nas mãos do mesmo grupo do Ministério Público que está atuando nas investigações contra a máfia dos fiscais da Prefeitura de São Paulo.

Os interrogatórios estão marcados para o dia 26 de março às 13h. O advogado Riccetto Neto deverá atuar no processo como assistente de acusação.

Foram denunciados junto com Nelson Latif Fakhouri, que vai responder por estelionato – uma vez consumado e três vezes tentado – formação de quadrilha, patrocínio infiel e denunciação caluniosa, os advogados Diva Bolla, Thyrso Manoel Fortes Romero e Gilto Antonio Avalone, o filho de Nelson Fakhouri, Ricardo Fakhouri, o médico Fábio Dix de Santis, o investigador de polícia R. B. S., o investigador aposentado e pai de R., L. B. S., e Antonio Nelson Vieira da Costa Morgado, Rosângela Cristina de Azevedo de Santis e Míriam Galdi.

OAB defende o acusado

A Seccional paulista da OAB, em defesa de Nelson Latif Fakhouri, representou junto ao Tribunal de Justiça ao tomar conhecimento de que havia sido autorizada a escuta telefônica do acusado, embora já tivesse sido informada de que as gravações haviam sido suspensas. Posteriormente, três dos arrolados no processo, mais o presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB-SP, Alberto Rollo, representaram contra o advogado Luiz Riccetto junto à própria Seccional.

A essas iniciativas, somaram-se mais 22 ações judiciais em que Riccetto é acusado de calúnia e injúria pelos réus no processo. Oito dessas ações foram rejeitadas.

Revista Consultor Jurídico, 10 de março de 1999.

Revista Consultor Jurídico, 10 de março de 1999, 0h00

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