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FHC vê OAB em declínio

FHC questiona representatividade da OAB

Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que a nova sociedade brasileira já não se sente representada pelas entidades tradicionais que acumularam fama e prestígio nas últimas décadas.

Entre as entidades a caminho do crepúsculo, FHC citou nominalmente a OAB. Para respaldar a tese, o presidente-sociólogo lembrou que o ramo mais vigoroso da nova advocacia - aquele voltado para o direito empresarial e econômico - caminha ao largo da entidade.

"Crepúsculo quem vive é o governo dele", reagiu o presidente da Associação dos Advogados Criminalistas (Acrimesp), Ademar Gomes. "Ele só está tentando arrumar uma explicação para as pesquisas que indicam que 66% dos brasileiros reprovam sua administração".

Fernando Henrique tem razão quando menciona, por exemplo, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI). É fato que a entidade não representa o que diz representar. Quanto ao poder de sindicatos e centrais sindicais, os caminhoneiros, recentemente, se encarregaram de mostrar, também que as siglas já não concentram o poder que já tiveram.

Quanto à OAB convém lembrar o óbvio: o advogado não tem a alternativa de escolher outra entidade nem a opção de não pertencer a seu quadro associativo. Do ponto de vista político, contudo, resta examinar se os dirigentes dessa constelação autárquica implica a efetiva liderança do conjunto dos advogados.

Nenhum outro segmento profissional destacou-se tanto em importância nesta década quanto a advocacia. O presidente nacional da Ordem, Reginaldo de Castro, mostra que entendeu isso e imprimiu à sua gestão o estilo de autocrítica que a corporação necessita para sintonizar-se com a população.

Nos Estados - que é onde os advogados se encontram -, contudo, a OAB parece não concentrar em si o prestígio adquirido pelo conjunto de seus representados. Ganharam força, nesse período, entidades auxiliares como as Associações (no caso de São Paulo, a Aasp, Cesa, Acrimesp, Aatsp e outras).

A OAB está longe de se tornar uma entidade de fachada, ou resumir-se a funções cartoriais, como insinuou FHC. Mas é certo que sua sobrevida será maior se conseguir desvendar sua identidade para melhor atender à sua finalidade.

Revista Consultor Jurídico, 15 de agosto de 1999, 0h00

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